O que não dizer para uma mulher com câncer de mama
Quando alguém próximo recebe o diagnóstico de câncer de mama, é comum sentir vontade de dizer algo que conforte. Mas, mesmo com a melhor das intenções, algumas frases acabam pesando mais do que ajudando.
“Mas você é tão jovem...” é uma delas. A idade não torna o diagnóstico mais ou menos assustador, e ela não precisa explicar por que aquilo aconteceu com ela. Outra frase frequente é “pelo menos descobriram cedo”. Talvez seja uma informação importante, mas, naquele momento, ela também pode estar com medo, confusa e tentando entender o que vem pela frente.
Também é comum ouvir “você precisa ser forte”. Só que ela não precisa performar força o tempo inteiro. Pode ter medo, pode chorar, pode estar cansada, e isso também faz parte. O mesmo vale para “conheço uma pessoa que teve e ficou tudo bem”: a história de outra pessoa não prevê como será a dela, já que cada câncer de mama tem características, tratamentos e trajetórias diferentes.
E tem o clássico “não pensa nisso, pensa positivo!”. Às vezes, ela não precisa de uma solução para o que está sentindo. Precisa de alguém que consiga ficar ali com ela.
Então, o que dizer?
Algumas sugestões simples fazem muita diferença: “Estou aqui.” “Quer conversar ou prefere companhia?” “Posso te ajudar com alguma coisa?” “Não precisa responder agora.” Às vezes, apoiar é muito mais sobre escutar do que aconselhar.
Sabia que o próprio Instituto Nacional do Câncer dos EUA (NCI) destaca que pessoas com câncer precisam de espaço para falar sobre seus sentimentos? Muitas vezes, o melhor apoio é simplesmente estar disponível, ouvir sem tentar resolver tudo e perguntar do que ela precisa.
A médica mastologista Dra. Vivian Fontana (CRM RS 34004, RQE 27620) reforça a importância de olhar para a mulher para além do diagnóstico: existe uma pessoa ali, vivendo mudanças físicas, emocionais e práticas que transformam totalmente a rotina dela.
No Outubro Rosa, a gente fala muito sobre prevenção. Mas também precisamos falar sobre como estar ao lado de quem já recebeu o diagnóstico. Neste Outubro Rosa, talvez a gente possa trocar o impulso de encontrar a frase certa pela disposição de estar presente de verdade. Um simples “estou aqui” é mais acolhedor do que qualquer conselho.
Responsável Técnica: Dra. Adriana Prato Schmidt, Médica, CRM 25372 | RQE 17766





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